quarta-feira, novembro 25, 2009

Saramago - "Caim"




"E aonde iríamos nós, perguntou eva, estamos no meio de um deserto que não conhecemos e onde não se vê um caminho, um deserto onde durante estes dias não passou uma alma viva, dormimos num buraco, comemos ervas, como o senhor prometeu e temos diarreias , Diarreias, que é isso, perguntou o querubim, Também se lhes pode chamar caganeiras, o vocabulário que o senhor nos ensinou dá para tudo, ter diarreia, ou caganeira, se gostares mais desta palavra, significa que não consegues reter a merda que levas dentro de ti"

Hoje decidi escrever sobre o livro que estou a ler - "Caim" de José Saramago.

Antes de mais, deixo um excerto de uma notícia, publicada em expresso.pt, cujo link aqui deixo, para quem a quiser ler na íntegra http://aeiou.expresso.pt/saramago-caim-despertou-odios-velhos-e-incompreensoes=f542735 :


"Críticas a um livro "que não leram"

Saramago referiu estranhar que Caim seja o livro em que "mais se tem falado, embora não tenha sido lido".
"É obra!", disse a propósito, sublinhando que é "magia" e "quase um milagre que certos sectores tenham conseguido dizer tanto em relação a um livro que não leram".
Saramago reafirmou que na Bíblia há "crueldade, há incestos, há violência de todo o tipo, há carnificinas. Isto é indesmentível", acrescentou.
Sobre a acusação de ter feito uma interpretação literal do texto bíblico, Saramago comentou: "Aquilo que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que dissesse à pessoa que aquilo não é assim, que há que fazer uma interpretaçao simbólica, a isto chamam a exegese. (...) Eu sou suficientemente ingénuo para ler aquilo que esta lá e é sobre aquilo que está lá que eu trabalho", sublinhou."
É verdade, é impressionante o número de críticas que desde logo "choveram" independente de, quem criticou, ter lido ou não o livro.
Não vou estar com profundas considerações sobre o livro, porque já tanto foi dito, que não me apetece continuar. Apenas não me apetece, porque até podia ;) Aquilo que me apetece de facto dizer é que me faz confusão que algumas pessoas sejam tão "tapadas" acerca da história da religião, que não são capazes de ver aquilo que realmente ela significa, aquilo que realmente significou, aquilo que "Deus", para quem de facto acredita na Bíblia, andou realmente a fazer. Mas não... "Deus é bom, deus é bondade e é perdão".
Dizem agora os entendidos que não deve ser feita uma interpretação literal daquilo que lá está, e eu digo, como Saramago, então que providenciem um desses entendidos para cada um que quiser ler a bíblia, a ver se eu passo a entender que "Deus" tão bom e amigo é esse que permite que assassinemos o nosso irmão, que provoca a doença naqueles que acreditam nele, que provoca verdadeiras carnificinas.
Ainda não acabei de ler este livro, estou quase a terminar, mas já li vários livros de José Saramago e aquilo que tenho a dizer é ADORO e que o senhor viva ainda muitos anos para escrever mais que eu cá estou para os ler!
Só mais um apontamento: Para aqueles que dizem que não conseguem ler Saramago porque ele escreve sem pontuação, digo o seguinte: antes de o dizerem, tentem verdadeiramente ler algum livro de Saramago e depois digam-me como foi e se estiverem com tempo, contem os sinais de pontuação...
Aconselho vivamente a leitura de Saramago (experimentem "O Memorial Do Convento", foi o primeiro que li e parti-me a rir) e como já dizia o outro (ou a outra, não me lembro) "Não negue à partida uma ciência que desconhece" ;)

1 comentário:

  1. eu só li o ensaio sobre a cegueira dele

    e adorei!

    não é nobel á toa...

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